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Alterações Vocais do Bebê ao Adolescente

Disfonia Infantil

As alterações de voz na primeira infância rotineiramente não recebem a devida importância por parte dos pais, professores e até mesmo do médico pediatra. A rouquidão na criança não é razão de preocupação para a população em geral, inclusive para profissionais da saúde. As pesquisadoras Soares e Behlau (1998) realizaram um estudo sobre a visão do médico pediatra a respeito da disfonia infantil. Foram entrevistados 133 pediatras e descobriu-se:

Nos primeiros anos de vida algumas doenças podem colocar em risco a vida de crianças que não recebam o devido acompanhamento médico. Estenose subglótica, laringomalácia, papilomas e paralisias das pregas vocais são transtornos menos comuns, porém podem obstruir as vias aéreas.

Os sintomas mais comuns são: dificuldade respiratória intermitente, alteração vocal, anormalidade no som do choro, afonia (ausência de voz), cianose (ficar roxo), estridor (ruído que ocorre na passagem do ar), dificuldade de alimentação, tosse, apnéia e pneumonias de repetição. A voz no bebê pode ser considerada como um importante parâmetro de saúde ou doença.

Alguns pesquisadores acreditam que pode-se esperar pela puberdade, pois determinadas alterações desaparecem com o crescimento e desenvolvimento da laringe. No entanto, outros autores alertam que existem alterações benignas, como cistos em meninos, que durante a puberdade podem romper-se e originar o que chamamos de sulco vocal. Em uma situação como está o dano vocal será muito maior e o tratamento limitado, ficando o adolescente com a qualidade e o rendimento vocal seriamente comprometidos. Devemos ainda dimensionar o dano emocional gerado por anos de voz deteriorada, o que geralmente traz estigmas à criança e compromete suas habilidades de comunicação e interação social.

Dados indicam que 3 milhões de crianças norte-americanas apresentam disfonias. No Brasil, até 23% das crianças em idade escolar podem apresentar alguma alteração vocal, e 5% destas crianças apresentam problemas crônicos, ou seja, de longos períodos ou já estabelecidos. Este percentual pode variar de acordo com a cultura local, com o comportamento social mais expansivo ou menos expansivos de determinados grupos sociais. Normalmente pensa-se em transtornos agudos, que passarão em 10 ou 15 dias, porém a literatura aponta que a grande maioria das patologias na infância ocorrem por mau uso e abuso vocal.

As laringites e infecções do trato respiratório ocasionam disfonias temporárias. Traumas vocais com "inchaço" dos tecidos ocorrem geralmente por gritos em jogos, falas com competição de ruído como festas e intervalos escolares. Os nódulos vocais (popularmente chamados de calos) são os mais freqüentes e predominam no sexo masculino. O mais evidente e importante sintoma é a voz rouca como indicador de desequilíbrio do sistema responsável pela sonoridade vocal. Inúmeros pesquisadores alertam que todo caso de rouquidão prolongada necessita de cuidados médicos imediatos.

As pressões da vida moderna e as exigências do sistema educacional propiciam o desenvolvimento de padrões hipertensos de produção da voz e da fala em crianças. Como outras causas sociais podemos citar os hábitos familiares e modelos não adequados de voz e fala.

Encontramos ainda problemas de voz associados aos desvios de fala (trocas e omissões de fonemas), problemas respiratórios, alterações de linguagem (dificuldade em expressar-se claramente ou em compreender frases compostas), alterações do comportamento (agitação, desatenção). Nestas situações o problema de voz poderá passar desapercebido e não ser valorizado.

Crianças com problemas vocais podem apresentar o que chamamos de alteração do Processamento Auditivo Central ou em alguns casos podem apresentar Déficit de Atenção. Estas desordens apresentam como sintomas a hiperatividade e o atraso na aquisição da fala. O processamento auditivo central é responsável pela atenção seletiva, inibição dos ruídos competitivos a uma mensagem auditiva, localização da fonte sonora, lateralização do som, discriminação auditiva e aspectos temporais da audição.

Como identificar a desordem do processamento auditivo central em seu filho? Se 5 ou mais destes itens forem assinalados, você deve procurar avaliação médica e fonoaudiológica:

Disfonia na Adolescência

É com a puberdade que ocorre a muda vocal, período fisiológico em que a voz de meninos e meninas sofre a transformação para a voz adulta, fazendo com que a voz fique mais grave. Nas meninas este processo é mais sutil e gradativo. No menino essa adaptação funcional ocasionada pelo crescimento das estruturas laríngeas é mais desequilibrada, pois as estruturas crescem de forma não harmônica. Este período na menina ocorre entre 12 e 14 anos e nos meninos entre 13 e 15 anos, relacionado com o aumento da estatura física, encerrando-se com o surgimento dos pêlos na face.

Nesta etapa da vida o adolescente pode apresentar rouquidão, diplofonia, voz áspera e soprosa. A duração da muda vocal fisiológica deve durar de meses a 1 ano. Nesta fase o canto torna-se difícil e deve ser evitado. Períodos de desajuste vocal maiores que 12 meses sugerem a necessidade de avaliação médica. Observa-se que 6% dos meninos entre 13 e 18 anos apresentam distúrbios vocais. Nas mulheres uma voz muito aguda ou infatilizada pode ser indicativo de muda vocal incompleta. O auxílio médico e fonoaudiológico poderá estabelecer o equilíbrio vocal e adequar a voz do indivíduo.

Texto: Ivon Gretel Winkler Maisonnave - Fonoaudióloga