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Meu Filho Está Falando Corretamente?

Você sabia que existe uma diferença entre linguagem e fala? O termo linguagem refere-se a um processo altamente complexo que está diretamente relacionado à organização do pensamento. A linguagem possibilita estabelecer contato com os outros, compartilhar experiências, trocar idéias e pensamentos, expressar desejos, enfim, comunicar-se. Já a fala consiste na produção de sons através da interrupção ou bloqueio da corrente de ar que vem dos pulmões, ocasionada pelos movimentos dos lábios, língua e palato mole (final do céu da boca).

Para que ocorra um adequado desenvolvimento da fala e da linguagem é necessário que a criança apresente capacidade intelectual e desenvolvimento cognitivo normal, bem como ser exposta a um ambiente encorajador e estimulante. É fundamental ainda, que haja um desenvolvimento motor normal, assim como uma perfeita maturação do sistema auditivo. Portanto, a criança deve apresentar saúde física, emocional e condições orgânicas adequadas para a produção da fala.

É principalmente pela linguagem que a criança compreende e controla o seu mundo. Dando nome às coisas e ao que faz é que a criança descobre que pode pensar em objetos e pessoas que não está vendo. Melhor ainda, consegue até imaginar situações.

A fala é uma conquista psicológica e intelectual muito importante e que marca uma extraordinária aceleração no desenvolvimento global da criança.

A palavra tem uma força mágica – o bebê chama “mamãe” e ela aparece, pois é através da palavra que a criança manifesta seus desejos. Crianças pequenas que brincam juntas falam, mas não conversam e não se importam com isso; neste período a palavra é parte do que ela faz.

À medida que a criança se desenvolve, sua linguagem passa a ser usada para comunicar-se. Ela começa a prestar atenção no que os outros dizem e a conjugar os verbos – gramaticalmente incorretos, porque ela ouve “eu vi” e fala “eu di”, “eu fazi”, “eu pegui”, ou “eu janti”; desta forma ela está tentando aplicar uma regra.

É importante respeitar a forma de falar da criança nesse período. Apontar constantemente os seus “erros” poderá inibi-la, fazer com que ela fale pouco para cometer poucos erros. Com isso, vai comunicar-se menos e, conseqüentemente, desenvolver-se mais lentamente. Devemos repetir o que ela disse utilizando a palavra ou a frase de forma correta, mas sem dar ênfase ao erro.

Veja agora como ocorre o processo de desenvolvimento da linguagem e da fala:

Vale ressaltar que durante esse processo de desenvolvimento da fala algumas trocas e omissões podem ocorrer, mas devemos saber até que idade aproximadamente essas alterações podem ser consideradas normais. Por isso aqui vão alguns exemplos que são mais comumente observados:

Lembre-se ainda de que como a criança aprende a linguagem ouvindo e falando, devemos conversar bastante com ela. Aprende-se a falar em ambiente de fala! A criança tem condições inatas para, em pouco tempo, estabelecer elementos de comunicação oral de construção surpreendentes.

A criança é curiosa e usa a fala para entender o mundo, por isso está sempre perguntando o por quê de tudo e não ficará satisfeita com respostas do tipo: “porque é”, “porque sim”, ou “porque é assim mesmo”. O “porquê do porquê” é constante e devemos saciar suas interrogações, de forma objetiva e clara, sem enganar, ou prometer a resposta para depois. Se o adulto não sabe como responder, é melhor dizer a verdade e procurar junto com a criança a resposta. Respostas ajudam a desenvolver a linguagem, o raciocínio, o conhecimento e a inteligência em geral.

O que a criança recebe de sua família e educadores/as, mesmo sem a utilização de palavras, pesa muito, tem muita valia na aquisição e no aperfeiçoamento da fala. Aprender a falar é, também, aprender a armazenar palavras. Mas lembre-se: o que é dito, é compreendido de acordo com o momento, o tom de voz que é proferido, a expressão facial e o gesto que acompanha.

Um ambiente verbal adequado não é um simples despejar de palavras – cada palavra vem impregnada de muitos valores e sabores!

* Observação: o nome de alguns processos relacionados às trocas e omissões presentes na fala das crianças foram alterados para que haja maior compreensão dos mesmos.

Ignez Jobim Van Hoogstraten
Fonoaudióloga CRFa/8318